arrebatador e definitivo
As
paixões têm sempre algo de arrebatador e de definitivo. De repente e
sem querer, damos por nós a fazer planos possíveis e impossíveis, a
curto, médio e longo prazo, a imaginar a nossa vida diferente, com muito
tempo e muito espaço para o outro, no nosso coração, no nosso corpo, na
nossa casa e na nossa vida. O outro, que aos poucos se vai fundindo em
nós – e nós nele – ganha uma dimensão quase sobrenatural. Queremos
mima-lo, adora-lo, cuidar dele todos os dias. Mas nas verdadeiras
paixões há sempre aquela margem de cerimónia e de cuidado; pequenos
gestos de respeito e de contenção, ouvir antes de falar, perceber antes
de sugerir, conhecer antes de partilhar. E nunca se pede nada porque não
é preciso, e nunca se exige porque é feio, porque é indelicado, porque
não faz parte da essência. (...) Quem
dá sem reservas nunca pensa se está a fazer bem ou mal, se o outro
merece toda nossa atenção carinho e dedicação. Dar sem pensar é um dos
maiores prazeres da vida; beijos, chocolates, mimos e abraços, o peito e
o ombro, a carne e o coração. Mas é preciso saber dosear. Ir dando na
medida daquilo que se vai recebendo, às vezes um bocadinho mais, outra
um bocadinho menos, para que o outro tenha tempo e ganhe espaço para nos
ir dando mais espaço e mais tempo. É uma arte de negociação, mas guiada
pela generosidade e combinada com a intuição.
Sem comentários:
Enviar um comentário